quinta-feira, 10 de julho de 2014

AINDA HÁ TEMPO PARA O FUTEBOL BRASILEIRO VIRAR O JOGO



            A derrota em campo da seleção brasileira em uma Copa do mundo realizada em casa não foi algo tão imprevisível quanto parece, fora de campo já havíamos perdido com a realização da Copa do mundo no Brasil e o placar do jogo só reflete o caráter de classe que estamos vivendo no que diz respeito ao nosso esporte mais amado. O Futebol Brasileiro vive em crise a muito tempo e a culpa disso tudo não pode cair em cima dos jogadores e da comissão técnica, longe disso.
            O Futebol brasileiro vem sendo explorado por cartolas burgueses que afastam cada vez mais os torcedores dos estádios quando transformam nosso futebol de esporte e alegria em mercadoria. A maioria dos cartolas lucra milhões com a comercialização do nosso amor, e pior, vendem esse amor para a mídia, que para facilitar e reduzir os custos com a transmissão privilegiam 12 clubes brasileiros dentre os mais de 500 existentes. Isso, cada vez mais transforma esse esporte de uma opção de lazer para os trabalhadores e para a juventude espalhados em todo o Brasil em uma programação televisiva lucrativa além de uma excelente vitrine de marketing concentrada em apenas 12 clubes. Um exemplo disso é que só no ano passado os campeonatos estaduais, os que envolvem mais times, tiveram uma queda de 9,3% na média de publico em relação ao ano anterior segundo a revista Placar. Os grandes clubes regionais de massas como o Vila Nova, Santa Cruz, Sampaio Correia, Fortaleza, Remo e Paysandu sofrem com essa escolha do mercado burguês da bola por que não conseguem montar times competitivos com essa falta de investimentos e quem sofre mais ainda com isso são os verdadeiros brasileiros que acompanham esse esporte frequentemente nos estádios, por que eles tem que se conformar, ou se alienar, cada vez mais aos grandes clubes do eixo RJ-SP-RS-MG e os operários da bola que longe de ganharem milhões como os jogadores que atuam nesses clubes sofrem com a precarização das condições de trabalho, segundo o próprio site da CBF a média de salário dos jogadores profissionais brasileiros é de 1,5 salários mínimos e na maioria dos clubes brasileiros faltam estruturas mínimas como academias. 
            A realização da Copa do Mundo no Brasil acelerou ainda mais esse processo de elitização do futebol brasileiro, o preço do ingresso dos jogos para esses 12 clubes brasileiros privilegiados pela escolha do mercado e mídia futebolística esta cada vez mais caro, tirando cada vez mais o torcedor pobre de escanteio, mas isso não é de hoje, a algum tempo excluíram uma tradição do futebol brasileiro, a geral, onde os torcedores de menor poder aquisitivo podiam assistir jogos de campeonatos regionais pagando até 1 real. Essa é a face do caráter de classe desse futebol moderno gerido por cartolas que mandam na CBF que tem seus dirigentes eleitos pelos representantes de federações regionais com a unção dos cartolas. A CBF é uma verdadeira indústria que tem um patrimônio milionário e usa do sentimento honesto de milhões de brasileiros com relação a seleção para aumentar cada vez mais seus lucros, sem sequer devolver ao Estado um centavo dos lucros obtidos com a representação do futebol brasileiro. Os lucros dessa representação devem ser investidos na iniciação esportiva, para melhorar as condições das bases do nosso futebol e tirar da extrema precariedade milhões de jovens que sonham em ser jogadores profissionais mas enfrentam uma dura realidade de falta de estrutura quando não são enganados por cartolas golpistas. 
            As propostas do craque Romário (PSB-RJ) de reverter apenas uma alíquota de 5% dos lucros da CBF para o esporte brasileiro não resolvem o problema pois não tira nossa paixão, que eles transformaram em negócio, das mãos dos grandes empresários da bola. A CBF tem que ser estatizada pois deve ser do povo brasileiro para poder dar condições mínimas para os jovens que sonham em ser jogadores de futebol e realmente dar alegria para os brasileiros, como falou honestamente David Luiz, zagueiro da seleção brasileira. Precisamos apoiar cada vez mais o movimento Bom Senso, que foi criado por um grupo de jogadores que questiona a tabela exaustiva de jogos no calendário profissional brasileiro para que ele avance nas reivindicações por melhores condições de trabalhos para muitos jogadores que jogam longe dos holofotes da grande mídia e envolver os torcedores que frequentam cotidianamente os estádios para colocar na pauta do Bom Senso a questão dos preços dos ingressos, elitização do público, bem como o combate ao racismo, machismo e homofobia nas arquibancadas . 
            A luta do futebol brasileiro também é uma luta contra os grandes empresários e seus representantes políticos. No congresso existe uma bancada da CBF que votou contra a proposta mínima do deputado Romario (PSB) de destinar 5% dos lucros da CBF para o esporte brasileiro, Rodrigo Maia (DEM -RJ), Guilherme Campos (PSD-SP), Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), José Rocha (PR-BA) , Vicente Cândido (PT-SP),  Valdivino de Oliveira (PSDB-GO)  e Jovair Arantes (PTB-GO), votaram contra. Mas todos tem envolvimento diretamente com os cartolas, ou são os próprios cartolas. Jovair Arantes (PTB-GO) um cartola do futebol goiano chegou ao absurdo de chamar os jogadores do Atletico-GO de "come e dorme" quando esses jogadores que frequentemente recebiam salários atrasados apresentaram um baixo rendimento no campeonato brasileiro deste ano. 
            Jogando contra essa seleção de cartolas e essa bancada da CBF, sem uma estrutura de iniciação esportiva decente, condições de trabalho dignas e salários decentes para os muitos jogadores brasileiros fora dos holofotes e sem o torcedor trabalhador no estádio sempre vamos perder de 7 x 1. Ou o futebol brasileiro vai de encontro ao povo brasileiro e se populariza, ou se fecha e serve de satélite para o futebol europeu como o futebol regional brasileiro já serve de satélite para o futebol do eixo RJ-SP-RS-MG.

Igor Dias
Militante do PSTU,
Operário da Agroindústria Goiana
Presidente da Torcida Vila Metal


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